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Acidentes de trânsito causam 1.873 mortos em um ano em Goiás

Um estudo baseado em dados do Departamento de Informações do Sistema Único de Saúde (Datasus) mostra que 1.873 pessoas morreram em decorrência de acidentes de trânsito em Goiás no ano de 2015. De acordo com o levantamento, o estado tem um índice de mortalidade acima da média nacional. Especialista em trânsito relata que excesso de velocidade é uma das principais causas das mortes e que é preciso aumentar o trabalho de educação dos condutores. O relatório Retrato da Segurança Viária foi desenvolvido pela Ambev e pela empresa de consultoria Falconi. Os números apontam que, das vítimas, 40% são motoristas de automóveis, contrariando a tendência do restante do país, onde o maior número de óbitos é de motociclistas. Em Goiás, os condutores de moto totalizam 36% das mortes, seguidos por pedestres (15%) e ocupantes de ônibus e caminhões (9%). Em Goiás, o índice de mortalidade no trânsito é de 28,3 a cada 100 mil habitantes. O número é muito acima da médica nacional, que é de 19,2. Apesar disso, de acordo com o levantamento, houve uma redução de 11% no número de mortes em relação a 2014, quando foram registrados 2.148 óbitos. O doutor em engenharia de trânsito Benjamim Jorge Rodrigues dos Santos avalia o resultado do estudo como “preocupante”.

Santos aponta que o fato dos ocupantes de automóveis serem as principais vítimas do trânsito em Goiás mostra que os acidentes envolvendo esses veículos têm maior gravidade. “Os acidentes com carro costumam ser em uma velocidade maior do que os demais. E quanto maior a velocidade, maior a severidade e, com isso, o número de mortos e feridos”, explicou.
Um dos acidentes envolvendo excesso de velocidade de em 2015 foi o que vitimou o cantor Cristiano Araújo e a namorada, Allana Moraes, em junho. Dados recolhidos da “caixa preta” da Range Rover do cantor mostram que o motorista, Ronaldo Miranda Ribeiro, estava a 179 km/h cinco segundos antes do acidente.

Em outro caso, em março do mesmo ano, um carro foi empurrado para fora da pista após ser atingido na traseira por um caminhão trafegando acima da velocidade. Segundo o tacógrafo do veículo de carga, ele atingiu picos de 160 km/h no momento do acidente. O automóvel atingido caiu de uma ponte e os quatro ocupantes morreram.
Além disso, outros fatores listados por Santos como causas de mortes nos trânsitos estão a imprudência ao volante e até mesmo má conservação das vias. E isso pode ser exemplificado em uma colisão que aconteceu em janeiro de 2015. Dois motociclistas bateram de frente em um trecho que, na época, estava em mau estado de conservação. A família de um deles disse que o acidente aconteceu após o piloto tentar desviar de buracos, mas perder o controle da direção.
Para o especialista, para tentar diminuir o número de óbitos no trânsito é necessário investir em três pilares: educação no trânsito, engenharia de trânsito para melhorar a situação das vias, e maior fiscalização. “Se forem feitos projetos para essas três áreas, certamente haverá uma queda no número de acidentes e, consequentemente, no de mortos e feridos”, completou.

Projeto

A gerente de sustentabilidade da Ambev, Mariana Pimenta, conta que a ideia do estudo começou devido ao trabalho da empresa em estimular o consumo inteligente de bebidas, com moderação. “Fazíamos constantes campanhas para conscientização dos condutores, mas não tinha o impacto esperado, não era suficiente. Então, fizemos esse estudo para saber o que poderia ser melhorado e guiar projetos de segurança no trânsito”, disse.

De acordo com ela, o objetivo é, com essas ações, é contribuir para a redução no número de mortes no trânsito em 50% até 2020. “Já conseguimos fazer parcerias com alguns estados para fazer levantamento de dados constamente e também desenvolver projetos mais direcionados.
Em São Paulo, por exemplo, conseguimos reduzir em 17% o número de óbitos no trânsito. No Distrito Federal, ainda não temos os números finalizados, mas já é possível afirmar que mais de 100 vidas foram salvas”, contou.

Com o lema “se não se mede, não se gerencia”, o estudo foi feito em parceria com a empresa Falconi, que fez o levantamento e cruzamento de dados que resultou no estudo. “O objetivo é tentar consolidar todos os números que se tem sobre o assunto para dar um panorama nacional sobre a segurança viária e cutucar um pouco o governo e a sociedade em prol desse objetivo de redução do número de óbitos no trânsito”, disse o consultor da empresa, Luís Roma.
O estudo foi feito cruzando diversos dados do Datasus, assim como do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e Organização Mundial da Saúde para criar um retrato da situação viária no país. A partir daí, é possível detectar medidas direcionadas para cada perfil de problema.
“A gente não chega a fazer uma análise de caso, mas levantamos os principais perfis e variáveis que podem levar a esses acidentes, como crescimento da frota, condições das rodovias, PIB, IDH, que ajudam a entender um pouco o comportamento da população”, contou o consultor.

Já a Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) informou que também está trabalhando para reduzir o número de óbitos no trânsito. Entre as medidas listadas pelo órgão estão a implantação de sinalização horizontal e vertical, instalação de redutores de velocidade, barreiras de proteção nas rodovias para evitar saídas de pista e até câmeras de vídeo monitoramento em 360º, que facilita a identificação de infrações de motoristas e facilita o suporte e o resgate a possíveis vítimas.
Além disso, a Agetop afirma que realiza periodicamente serviços de conservações nas vias, identificando pontos críticos e fazendo roçagem do mato, operação tapa buraco. Por fim, também informou que faz parceria com o Comando de Policiamento Rodoviário para operações nas rodovias estaduais.