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Experimento cria embriões de macacos com células humanas

 


Foi com desconfiança, mas curiosidade, que a comunidade científica recebeu recentemente uma notícia extraordinária. Cientistas chineses e americanos publicaram na quinta-feira (15) um estudo na revista "Cell" onde afirmam ter conseguido manter vivos por 20 dias embriões com células humanas e de macacos, após injetarem células-tronco humanas em embriões de primatas.

Mas com qual intenção? Segundo os pesquisadores, a construção de modelos melhores para testar drogas e para cultivar órgãos humanos para transplantes. "Como não podemos realizar certos tipos de experimentos em humanos, é essencial que tenhamos modelos melhores para estudar e compreender com mais precisão a biologia e as doenças humanas", afirmou, em nota, Juan Carlos Izpisua Belmonte, especialista em células-tronco do Salk Institute for Biological Studies, na Califórnia, e um dos autores do estudo. 

Para o estudo, a equipe fez o seguinte percurso: injetou até 25 células-tronco pluripotentes, o tipo de célula capaz de criar tecidos embrionários e extraembrionários, em embriões de macacos, seis dias depois terem sido fertilizado. Passado um dia, eles possuíam 132 embriões com células humanas. Passados 19 dias, apenas três embriões ainda estavam vivos. A longevidade de apenas três embriões se deu pelas grandes concentrações de células humanas que eles possuíam.  

Ainda que o experimento avance sinais em terrenos que ferem normas éticas observadas pela maioria dos países, Izpisua Belmonte, que em 2017 criou híbridos de porco com células humanas, de vaca com células humanas e de ratos com células de camundongo, afirma que não irá implantar embriões do tipo para gestação. 

Contudo, vale lembrar que o vale-tudo científico está sempre forçando a linha tênue das boas práticas éticas da manipulação genética. Uma prova é o polêmico teste feito novembro de 2018, onde o biólogo He Jiankui anunciou que criara os primeiros humanos nascidos com genes modificados. 

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