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Em meio a denúncias de fraude, partido pró-Putin sai vitorioso de eleição russa

 


O partido governista Rússia Unida atingiu a maioria parlamentar nas eleições russas realizadas no fim de semana, num pleito que se estendeu por três dias e foi marcado por denúncias de fraude e interferência. As informações são da rede BBC. 

 Os governistas reivindicaram nesta segunda-feira (20) terem conquistado maioria de dois terços na votação que praticamente tirou opositores de campo, após meses de repressão aos adversários. A sigla que apoia o presidente Vladimir Putin obteve perto de 50% dos votos, percentual que registra uma discreta queda no apoio em relação à eleição anterior que definiu os membros da câmara baixa do parlamento russo, a Duma. Em 2016, o partido somou 54% dos votos. Livre da concorrência de seus maiores críticos – entre eles o principal opositor ao Kremlin e atualmente na prisão, Alexei Navalny –, impedidos de concorrer, Putin conquistou dois terços dos 450 assentos no parlamento do país em eleições que chegam ao fim com relatos de votação forçada e irregularidades generalizadas.


 A Comissão eleitoral russa nega.O rival “cordial” Partido Comunista, que apoia as iniciativas de Putin no parlamento, foi o que mais fez barulho contra o Rússia Unida, atingindo cerca de 19% dos votos e contabilizando um crescimento de 6% no apoio à sigla. Porém, a liderança dos comunistas, Gennady Zyuganov, falou em violações generalizadas, como enchimento de urnas com cédulas extras. Em discurso transmitido pela TV na segunda-feira (20), Putin agradeceu a confiança dos eleitores e disse que o Rússia Unida havia “confirmado seu papel como partido líder”. Apoiadores de Navalny responderam clamando por protestos, além de colocarem o resultado sob suspeição, classificando-o como “ilegítimo”. 

 Embora a popularidade de Putin e do partido governista tenha caído em meio a uma economia fragilizada pela pandemia e anos de contínuas sanções, além das denúncias de corrupção feitas por Navalny, o presidente russo segue popular entre uma grande fatia da população, que inclusive o reverencia por “enfrentar o Ocidente e restaurar o orgulho nacional”. Violações A organização russa Golos, taxada de “agente estrangeiro“, que faz monitoramento independente de eleições, registrou 5 mil violações.

 Entre elas, urnas que foram guardadas durante a noite em locais com as portas quebradas, o que permitiria o eventual acesso de fraudadores para depositar cédulas extras, além de selos de lacre de urnas rompidos, o que também indica possível fraude. A agência de notícias independente russa Interfax informou que foram registrados ataques cibernéticos de países estrangeiros contra o sistema online de votação. Já o site russo Znak relatou que uma pessoa em Moscou estava oferecendo 1000 rublos (R$ 72,9) para os eleitores dispostos a votar no Rússia Unida. 

 O aplicativo Smart Voting, desenvolvido por Navalny, foi removido das lojas da Apple e do Google no dia em que os russos começaram a ir às urnas, desencadeando revolta entre os eleitores. “Não vejo sentido em votar. Tudo foi decidido por nós”, disse à reportagem da BBC uma cabeleireira de Moscou identificada como Irina. O Ministério do Interior da Rússia declarou à imprensa que não registrou nenhuma “violação significativa”. Por que isso importa? Durante a corrida eleitoral, o Kremlin impôs uma forte repressão contra figuras políticas da oposição e a mídia independente, em meio a um processo de perda de popularidade do Rússia Unida e de Putin. O governo chegou a obrigar Apple e Google a retirarem de suas lojas virtuais um aplicativo criado por aliados do opositor Alexei Navalny, sob risco de aplicação de uma multa às duas big techs.

 O opositor defendia uma estratégia de “votação inteligente”, que consistia em incentivar seus seguidores a apoiarem o candidato com melhor chance de derrotar o Rússia Unida em suas regiões. Navalny é o principal crítico do governo Putin e está preso desde janeiro, quando retornou da Alemanha após cinco meses de recuperação médica. Ele foi envenenado por novichok, um agente químico que afeta o sistema nervoso e foi desenvolvido pela ex-União Soviética nos tempos da Guerra Fria. 

O oposicionista acusa Moscou de tentar matá-lo. Em fevereiro, um tribunal condenou Navalny a dois anos e meio de prisão por violar uma sentença suspensa de 2014, quando foi acusado de fraude. Promotores alegaram que ele não se apresentou regularmente à polícia em 2020, justamente no período em que estava em coma pela dose tóxica.

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